Eddy Mafia é um homem cheio de aspirações.
Ele é produtor musical, rapper, e co-proprietário
da editora "Netos de Cabral" ou simplesmente
"NDC". Tem apenas 24 anos de idade, mas
promete elevar a dimensão da música
cabo-verdiana. Nasceu em França,
mas a sua alma africana está omnipresente
na sua primeira grande produção musical
"Netos de Cabral - Unidade e Luta."
Se o nome não bastasse, o álbum
homenageia a vida e a obra de Amílcar Cabral
Em primeiro lugar, parabéns pelo lançamento do álbum "Netos de Cabral". Fale-me um pouco da ideia que esteve atrás deste projecto?
Em primeiro lugar, obrigado Afrowave por me ter dado a oportunidade de dar a conhecer o meu trabalho no vosso site. Durante muitas viagens que fiz por este mundo fora, sempre tive a ocasião de me encontrar com jovens amantes da música. Jovens que também fazem o rap, escrevem letras e gostam de cantar. Pensei então em juntar todos estes talentos e fazer com as pessoas oiçam a nossa música. Aqui em França, eu já tinha feito várias compilações musicais e foi daí que decidi concentrar-me neste projecto. Assim foi possível dar oportunidades a vários artistas que se deparavam com dificuldades de vária ordem. Começámos a trabalhar juntos e foi daí que nascera este primeiro projecto «Netos de Cabral -Unidade e Luta».
E parece ser uma boa forma de homenagear o grande herói que foi Amílcar Cabral...
Desde quando era criança, o meu pai contava-me histórias sobre Amílcar Cabral e a forma como ele conduziu a luta para libertar os nossos povos. Tenho tido uma grande admiração por ele. Quando cresci um pouco mais, continuei esta tarefa de estudar e conhecer a vida e as obras de Cabral! Consultei muitas bibliotecas e arranjei muitos livros sobre a luta desencadeada por ele. Cada vez que aprendia mais, maior admiração desenvolvia em relação a Cabral. Depois de tudo o que aprendi, pensei logo em utilizar tudo de positivo que Amílcar Cabral nos deixou para melhorar a nossa maneira de viver. Interessei-me sobretudo em dois aspectos: primeiro, Amílcar Cabral, nossa história e a nossa cultura. Em segundo, a música. Mas, como a música é uma boa maneira de nos expressar, resolvi utilizá-la para transmitir a minha mensagem. Como sempre me identifiquei como um "neto" de Cabral (mesmo que espiritualmente), por ter nascido na Europa. Todavia, soube que podíamos fazer algo para mostrar ao mundo que ainda não nos esquecemos sobre nós mesmos e a nossa história. Foi neste contexto que escolhemos o nome «Netos De Cabral» para honrar a vida do nosso herói, a existência da nossa terra e da nossa cultura.
O álbum contou com a participação de muitos artistas. Como é que foi possível juntar todos estes artistas à volta do projecto?
Como imaginas, não foi fácil juntar todos os artistas e por isso mesmo, «Netos De Cabral» é constituído sobretudo por família e amigos. Foi preciso juntar pessoas com fortes ligações de amizade e com a mesma paixão: a música. Eu vivo em Paris, mas muitos artistas tiveram que percorrer uns 900 quilómetros de distância para participarem neste projecto. Há ainda outros que vieram de Portugal. Quando estive a contar-lhes sobre o projecto pelo telefone, ficaram contentes, mas a paixão cresceu ainda mais quando souberam do título. Foi ai que senti que muitos participantes eram mesmos «netos» de Cabral de corpo e alma.
Bem, Amílcar Cabral é também o herói nacional da Guiné-Bissau, mas o álbum não conta com nenhum artista guineense. Porquê?
Amílcar Cabral é de facto, herói de cabo-verdianos e de guineenses, mas também de todos os africanos. Quando escolhemos o nome do álbum pretendemos transmitir uma mensagem para todos os africanos. Pois era essa a visão de Cabral - ter uma África unida. Foi esta a razão de ter convidado vários artistas do continente. Por exemplo, na faixa número 14 do álbum aparecem os «rappers» do Senegal, da Guiné-Conacry, das Antilhas, e de Cabo Verde. O objectivo é mostrar que todos nós estamos numa mesma luta. Todavia, é verdade que não aparece nenhum artista da Guiné-Bissau porque há poucos artistas guineenses a residir em França e honestamente, não conheço nenhum deles. A maioria dos africanos aqui são das antigas colónias francesas e esta foi a razão da ausência dos guineenses neste álbum. Mas, todos nós somos filhos da nossa «mamã África». Todos nós somos irmãos!
Netos de Cabral conta com diferentes estilos musicais, incluindo o rap e hip-hop, como aliás mencionaste. Tens alguma audiência em mente?
O projecto «Netos de Cabral» conta com todos os estilos musicais que agradam os jovens. Juntámos o Cabo Love, a Funana, o Rap, o Ragga, que são os estilos do momento. Como se sabe, depois dos EUA, a França é o segundo país mundial onde o Hip-Hop está muito bem enraizado. Aqui, todos nós crescemos com a cultura de Hip-Hop, sendo esta a forma de expressarmos os problemas da sociedade francesa. Assim, penso que o rap faz parte do nosso dia-a-dia. E claro, o Cabo Love é o estilo de todos quantos estão apaixonados e para aqueles que queiram se «colar» uns aos outros nas discotecas. E a Funana é o som da festa que faz vibrar o povo cabo-verdiano - é a tradição da terra!
E como vai a promoção do álbum?
A promoção começou um pouco antes de o álbum ter saído no mercado. Temos feito muitos espectáculos e estes começaram há muito tempo, mesmo antes de termos gravado este álbum. Depois de lançamento, começámos a concentrar-nos na apresentação do trabalho à toda a gente, não só em França, mas também em Portugal e em Luxemburgo. Ficou claro de que as pessoas gostaram do nosso projecto. Aproveito para agradecer a todos os sites que nos ajudaram neste trabalho da promoção, incluindo a Afrowave que tem feito um trabalho espectacular na divulgação da nossa cultura.
Quais são os teus futuros projectos? Estarás a trabalhar nalgum projecto em particular?
Vamos continuando a defender e promover o nosso trabalho. Tentaremos alcançar outros sítios onde ainda não fomos. Ao mesmo tempo, vou trabalhando noutros projectos da nossa editora «NDC RECORDS», como por exemplo, no álbum de Jennifer. Para além disso, tenho participado noutras produções musicais. E neste momento os «Netos de Cabral» estão a trabalhar na produção de uns videoclips o que permitirá uma maior divulgação do nosso trabalho. Assim, os nossos fãs estarão mais familiarizados connosco. Como pode adivinhar, estamos cheios de ideias e vamos trabalhando pouco a pouco na concretização das mesmas.
E finalmente, fale-me um pouco do teu percurso musical?
Fui sempre um grande amante da música desde quando era uma criança (risos). Fui também um DJ e desde cedo comecei a brindar festas. Mais tarde, comecei a escrever letras e "agarrar-se" ao microfone até que as pessoas começaram a dizer-me que eu era um bom rapper. Foi assim que nasceu a vontade de fazer mais e mais. Consequentemente, comecei a arranjar teclados, computadores e tantos outros materiais. O meu quarto de dormir era um verdadeiro estúdio de gravação. Mais tarde, passei a fazer shows nos clubes enquanto ia produzindo sons. Tudo isso contribuiu para o nascimento deste projecto «Netos de Cabral» no qual participei pela primeira vez como um rapper e um produtor musical. Com 24 anos de idade, sou um Rapper e um Co-Produtor (juntamente com o meu irmão Cláudio) dentro da nossa editora «NDC RECORDS». Como vê, também sou um Produtor musical dos estilos Cabo Love e Funana.
Eddy Mafia, muito obrigado pela tua entrevista e boa sorte na tua carreira!
Muito obrigado Umaro, muito obrigado à Afrowave. Também o meu muito obrigado a tantos fãs e a todos os que têm contribuído para fazer marchar pela frente a nossa cultura.
Contactos:
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11 rue Marcel Coquet
60110 Méru
França
Telefone: 00 33 616372025 / 00 33 603216193
E-mails:
eddymafia@hotmail.com